COVID-19: Alunos NCI contam o dia a dia no exterior durante a pandemia



Nos últimos dias o mundo está enfrentando o seu maior desafio do século XVI. A chegada do COVID-19 fez grande parte das pessoas pararem sua rotina e ficarem para casa. Mas e como ficou a vida de quem está longe de casa e não pode voltar para abraçar sua família? Conversamos com estudantes da NCI Intercâmbio que enfrentam a pandemia nos países onde estudam, e esta é a realidade deles.


Até o momento, a Irlanda registrou quase 5 mil casos do novo coronavírus e foi um dos países que agiram mais rápido para o combate ao vírus. A estudante de inglês, Leiliane Nascimento, está em Galway e conta como foi o primeiro contato com a doença. “A princípio parecia tudo muito longe, a gente até comentava sobre o coronavírus na sala de aula, mas era bem mais porque haviam meninas da Coréia do Sul. Naquele momento, até fevereiro, talvez começo de março, nada nos assustava ou nos preocupava muito”.


Quando a escola que a estudante frequentava anunciou que iria fechar, ela teve o seu primeiro choque, o COVID-19 pode ser mais grave do que o seus colegas antecipavam. “No dia do fechamento da escola estava todo mundo reagindo de uma forma diferente, alguns estavam nervosos, outros acharam exagero, porém a escola e os professores passavam pelos corredores e conversavam com os alunos para tentar acalmar todo mundo”, explica a estudante.


Leiliane conta que até duas semanas atrás ela ainda estava trabalhando, apesar de grande parte da cidade já estar fechada. Ela sofre de Asma, o que a coloca no grupo de risco do novo Corona, mesmo com a idade abaixo da média das vítimas fatais, a estudante conta que redobrou todos os cuidados como lavar as mãos e ficar sempre a dois metros de distância de qualquer pessoa, mesmo as que parecem saudáveis.


Agora que a estudante já não está mais indo trabalhar a ansiedade melhorou um pouco, ela afirma que não trocaria o lugar onde está por outro país. “A Irlanda me surpreendeu de maneira positiva, aqui todo mundo conta, não fomos diferenciados dos irlandeses e o Governo está lidando com a situação da melhor forma possível. Hoje eu me vejo mais preocupada com a minha família no Brasil do que com a minha situação na Irlanda”.


Em sua fala a estudante se refere principalmente às medidas adotada pelo Primeiro Ministro Irlandês, Leo Varadkar, que ofereceu um auxílio de 350 euros semanais para todos os trabalhadores da Irlanda, durante a quarentena. Outra medida que ajudou Leiliane, foi a extensão de visto de estudante concedida pela ilha, agora seu visto de 8 meses passou para 10 meses, para compensar as perdas durante a quarentena.


Outra história bastante similar com a de Leiliane é da estudante Vanessa Andrade. Ela mora em Galway há um ano e cinco meses e fala como está sendo o período sobre o seu ponto de vista. Para ela o impacto pode ter sido mais sentido, já que Vanessa estava de férias no Brasil e retornou à Irlanda no dia 5 de março, uma semana depois todas as escolas e pubs se fecharam e a vida na ilha mudou completamente.


“Começou no dia 12 de março quando fecharam a minha escola, eu trabalhei até o dia seguinte e cinco dias depois o hotel que eu presto serviços fechou também. Agora minha rotina é outra, durante a semana pela manhã eu faço as aulas online disponibilizadas pela escola, a tarde eu faço meu dever de casa e procuro me exercitar, caminhada e meditação são as principais atividades”, exemplifica Vanessa.


Para não sentir tanta falta da família e dos amigos durante este período difícil a estudante também ocupa seu tempo com vídeos chamadas. Vanessa também conta que se sente amparada pela Irlanda. “O Governo da Irlanda está dando um grande suporte para a gente que é imigrante ou estudante. Um dos exemplos é a ajuda financeira que eles fornecem, isso veio como uma esperança para aqueles que estavam desesperançosos. Eu apliquei no dia que o hotel que eu trabalho fechou, em uma semana já comecei a receber. É um suporte para aqueles que não tem condições de pagar o aluguel, entre outras contas”.


Vanessa tem apenas um medo neste momento, assim como a maior parte da população, ela teme contrair o novo coronavírus e ter que passar por um tratamento hospitalar longe de casa. Mas mesmo assim a aluna segue acreditando que as medidas de isolamento vão funcionar e reduzir ao máximo o número de casos na ilha.


Partindo para a Alemanha, a estudante Luciana Cordeiro está no país para estudar alemão. Ela explica que morou na Irlanda por dois anos e mudou-se para Alemanha no começo deste ano, com o apoio da NCI Intercâmbio, para no futuro ingressar em uma pós-graduação no país.


“Eu cheguei no dia 24 de Janeiro, eu considero que ainda estava em um processo de adaptação. Durante o mês de fevereiro as aulas começaram, logo após no dia 13 de março, o Governo alemão mandou fechar todas as escolas e uma semana depois o comércio, e neste momento foi decretada a quarentena total. Agora não é possível sair na rua, a menos que seja para ir ao mercado, hospital e farmácia”, fala Luciana.


A estudante conta que sente tensa ao sair de casa e que sua vontade e de retornar a residência o mais rápido possível. “Existem restrições nos mercados, primeiro que temos sofrido com a falta de materiais, assim como o resto do mundo. Máscaras, álcool gel e luvas não são mais encontradas nas lojas. Itens como papel higiênico, são restritos a apenas um pacote por família”. Luciana completa dizendo que é possível ver o nervosismo na cara das pessoas durante as compras.


Para Luciana um dos maiores desafios do povo alemão no momento é o emprego, ela explica que diferente da Irlanda, a Alemanha ainda não oferece uma ajuda para os que estão de quarentena. A primeira previsão para a volta da vida ao normal é para maio, mas mesmo assim a estudante se mostra descrente que na data as pessoas vão se sentir seguras para retornar às ruas.


O que as três estudantes concordam é o apoio da NCI Intercâmbio durante o período. “O grupo da NCI é uma das principais fontes de informação que temos agora, casos haja alguma dúvida eu procuro olhar no grupo antes, as pessoas são muito receptivas e ajudam bastante”, afirma Vanessa. Luciana tem a mesma opinião, ela conta que a sua relação com a NCI sempre foi muito próxima, o que a faz se sentir segura mesmo em tempos difíceis como estes.


Ficou surpreso como as coisas estão funcionando fora do Brasil? Lembrando que a Pandemia não vai durar para sempre, este período é temporário, mas é possível aproveitá-lo para fazer planos para o futuro. Que tal começar a planejar seu intercâmbio com a NCI, entre em contato com a gente, continuamos trabalhando normalmente durante a quarentena, só que de casa!


Por Joyce Silva



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