Faça uma roadtrip e explore as estradas da Irlanda

Atualizado: 11 de Jun de 2019



Conhecer a Irlanda sempre foi o meu sonho. Depois de ter feito intercâmbio em Galway em 2017 para melhorar o meu inglês, resolvi voltar neste ano para explorar ainda mais o país e tirar um antigo desejo do papel: fazer uma roadtrip pelas estradas da Ilha Esmeralda.


Como vocês devem perceber, a Irlanda não é um país de grande extensão como o Brasil, por exemplo. Isso possibilita que a gente atravesse da capital Dublin até Galway em um pouco mais de 2 horas (ou 3 horas, caso você esteja de ônibus). E foi justamente isso que fiz logo que cheguei.


Desembarquei na ilha no dia 11 de março e logo já peguei um ônibus da Citylink (aqueles que ficam no terminal externo em frente ao aeroporto, assista ao vídeo aqui) a caminho de Galway. Estava minha mochila de costas e eu. Dois viajantes bastante cansados depois de tantas horas de vôo - mas confesso que a ansiedade não me deixou dormir durante o trajeto até a costa oeste do país.


Ao todo fiquei duas noites em Galway. O tempo era curto e eu só tinha 20 dias para fazer todo meu mochilão pela Europa e apenas 10 dias para viajar pela Irlanda. Por isso, no dia 14 logo de manhãzinha, já fui em busca do meu novo companheiro: o carro que eu havia alugado para viajar pelo sul da Irlanda até Dublin novamente.



Como alugar o carro

Fiz a reserva do carro quando ainda estava no Brasil pelo site Rental Cars. Por pegá-lo em uma cidade e devolvê-lo em outra, o valor do aluguel ficou um pouco maior do que se eu tivesse pego e devolvido no mesmo local. Para vocês terem uma ideia, por três dias de viagem paguei cerca de 200 euros. Também era necessário devolver o veículo com o tanque de combustível cheio (o que totalizou, durante a viagem, algo em torno de 60 euros).


No total essa grana convertida dói no bolso, mas, como sabia que ia ter esse gasto, economizei um pouco a mais nos meses antes da viagem.


A Rental Cars reúne diversas locadoras de vários países. Para pegar o carro que tinha alugado, escolhi uma loja no centro de Galway chamada Budget Car. O processo do aluguel foi bem simples. Você dirige com sua carteira de motorista brasileira por até um ano na Irlanda. Mais do que isso é necessário tirar a habilitação do próprio país. Além disso, você precisará de um cartão de crédito. Se algo acontecer com o carro, eles cobrarão sem dó, então tome cuidado!


Por outro lado, o que não é muito simples é se acostumar a dirigir na mão contrária, conhecida como “mão inglesa”. Pois é, diferente do Brasil, na Irlanda e no Reino Unido os motoristas ficam do lado direito em carros e ônibus. O restante, como pedais e direção do câmbio para trocar as marchas (como em carros manuais, como o que havia alugado) é igual ao que conhecemos.


Além disso, vale lembrar que essa “mão contrária” envolve você dirigir pela faixa da esquerda na estrada, enquanto os carros que estão na direção oposta vem pela sua direita. É importante sempre ter isso em mente para não errar ao entrar em alguma rua, por exemplo (acredite, é muito fácil se confundir e quase entrar na contramão várias vezes).


Confesso que os primeiros 10 minutos dirigindo são os mais difíceis. Você precisa se concentrar bastante até se adaptar ao jeito diferente do nosso, ao volante do lado oposto, ao espaço que você tem e que o carro ocupa e, claro, às próprias ruas. Depois que o cérebro acostuma é bem mais fácil e se torna muito mais natural. Até estranhei quando precisei dirigir no Brasil novamente, rs.


O roteiro

O plano era o seguinte: sair de Galway a caminho de Limerick e, depois, seguir até Killarney. No dia seguinte acordaria cedo e iria para o vilarejo de Gougane Barra para, então, ir até Cork. No terceiro dia seria hora de passar por Waterford, Killkenny e, finalmente, Dublin. A ideia era chegar na capital no dia 16 para poder passar o dia 17 de março (mais conhecido como St. Patrick’s Day) tranquilamente pelas ruas de lá.


No total, andei cerca de 640 km. Segundo o Google, eu levaria quase 9 horas para percorrer isso em um dia só. Mas tendo três dias praticamente inteiros foi possível parar nas cidades, conhecer mais sobre elas, além de aproveitar a estrada, dirigindo tranquilamente e parando onde quisesse. Na verdade, acho que isso é o principal quando se aluga um carro em outro país: ter liberdade para conhecer roteiros que vão bem além do que a gente vê na internet.


Falando em internet, esse é um ponto muito importante: esteja conectado para fazer essa viagem. Você vai precisar da internet o tempo inteiro, tanto para procurar mapas, quanto para fazer qualquer pesquisa relevante (por exemplo, caso acenda alguma luzinha esquisita no painel do carro e você precisar decifrá-la - acredite, isso aconteceu comigo). Uma dica é usar um chip da Three, que disponibiliza internet ilimitada por 20 euros e pega muito bem em todos os lugares, inclusive nos mais remotos.



Depois de me acostumar com a direção diferentona na hora de dirigir, ficou bem mais fácil prestar atenção a minha volta. A Irlanda tem rodovias principais que ligam todas as cidades, mas muitas, muitas estradinhas mal sinalizada (ou com placas escritas apenas em irlandês) que te dão uma vista privilegiada de todo o verde, das montanhas que vez ou outra aparecem, dos vales e de tanta natureza (o que inclui, claro, um monte de vaquinhas e ovelhas espalhadas em um lugares que você até duvida se realmente mora alguém).


Ainda, entre as “cidades-destino” que eu tinha escolhido, passei por dezenas de outras. Foram muitas mesmo e todas elas tinham um certo padrão. Pequenos vilarejos com uma rua principal, placas escrito em gaélico, igrejas com cemitérios centenários ao lado e pubs, muitos pubs. Aliás acho muito legal esse conceito que encara os pubs não apenas como um lugar para ir beber, mas um local onde você pode ir confraternizar, levar a família ou os amigos, tomar um café ou só um pint de Guinness.


Uma experiência

É lógico que dirigir por um país que você não conhece onde até as sinalizações são em línguas desconhecidas dá um friozinho na barriga. Se você quer sair pelas estradas irlandesas, tenho mais outras duas dicas. A primeira é: tenha segurança em conseguir, pelo menos, se comunicar um pouco em inglês caso você precise. A outra dica é: leve power banks e cabo de carregador para o celular. A maioria dos carros hoje vêm com porta USB, então é mais fácil de não ficar na mão no meio de um lugar desconhecido.


Planejamento. Essa é a chave de praticamente tudo em sua viagem e dessa vez não seria diferente. Planejar ter uma grana para alugar o carro, planejar o roteiro para não perder tempo e planejar o quanto de dinheiro levar. O resto vai acontecendo durante a viagem. Se dê o direito de parar em uma cidade que você achar bem legal, conhecer igrejas e ruínas de castelos pelo caminho ou só observar a sua volta.


A Irlanda é um país cheio de curiosidades e com uma história incrível que vai muito além das cidades principais. E mergulhar nos detalhes de um país é algo que vai ajudar muito não apenas a ter uma baita experiência, mas conhecer novas culturas e, claro, melhorar (e muito!) o seu inglês.

Por Caroline Sassatelli

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