Galway: pequena no tamanho, mas grande na cultura irlandesa





Se você está em dúvida sobre qual cidade da Irlanda é possível morar, ter bastante contato com a cultura do país, boas escolas de inglês, mas sem aquele agito de cidade grande, eu lhe respondo sem pensar duas vezes: vá para Galway.


E foi exatamente esse o lugar que escolhi morar por um mês, em 2017, quando fui para a ilha esmeralda pela primeira vez para estudar e, em março de 2019, quando voltei para fazer um mochilão pela Europa e, claro, visitar os amigos que deixei por lá.


Galway é a quarta maior cidade da Irlanda, com um pouco mais de 65 mil habitantes. Ela está localizada próximo à costa oeste do país, em um condado de mesmo nome. De lá é possível ir tranquilamente para alguns pontos turísticos bastante conhecidos, como os Cliffls of Moher, Aran Island, Connemara, Clifden e mais um tanto de lugar bonito.


Como ir e onde ficar?

Existem muitos ônibus que vão para Galway que saem de um monte de cidades e, inclusive, do aeroporto internacional, em Dublin. Foi ali, inclusive, que peguei o ônibus dessa última vez para atravessar o país.


Basta andar pelo primeiro estacionamento e chegar até um segundo, onde têm vários ônibus para diversos destinos. Os que vão direto para Galway normalmente são os da City Link e Go Bus e a passagem custa cerca de 20 euros (caso você não tenha a carteirinha de estudante e escolha a opção sem retorno). Do aeroporto até o destino são aproximadamente 215 km de distância percorridos em quase 3h de largas estradas abarrotadas de veículos. (Você pode ver como é fácil pegar o ônibus do aeroporto para Galway, neste vídeo)


Na viagem mais recente até lá fiquei em um hostel chamado Snoozles. Achei bem honesto pelo preço, com um café da manhã gostoso, roupa de cama limpinha e locker bem grande para caber o mochilão de costas. Além dele também tem muitas outras opções de hostels, B&B e airbnb para quem está viajando.


Em 2017, quando fui estudar, acabei ficando 15 dias na casa de uma família de brasileiros e 15 dias na casa de outra família. A primeira morava bem perto do centro, há 30 minutos andando da minha escola. A segunda morava um pouco mais longe, mas muito próximo a um ponto de ônibus onde passava aquele que me levaria à região central. Apesar deste não ter sido o plano inicial, no final foi muito bom para mim porque acabei fazendo grandes amigos com quem tenho contato até hoje (e que foram um dos motivos pelo qual escolhi voltar logo para lá).


Além de casas de família (inclusive, muitas famílias irlandesas mesmo), também têm opções de residências estudantis. Mas essa opção normalmente depende da escola escolhida para estudar.


Mas o que tem em Galway?

Eu sou totalmente suspeita para falar sobre Galway porque é uma das minhas cidades favoritas do mundo. O lugar transborda cultura. Não é à toa que foi eleita a capital cultural mundial para 2020. E isso fica claro com pouco tempo de andança por lá.


Mas, bem, eu preciso fazer um alerta: não espere uma cidade enorme e cheia de opções diversificadas de restaurantes, pubs, mercados ou shoppings. Como eu disse, é um lugar relativamente pequeno, o que significa que - além de ser bastante seguro e ser muito tranquilo andar a pé ou de ônibus - todos os moradores frequentam, basicamente, os mesmos lugares.


A praça principal se chama Eyre Square. Nela, por exemplo, que é montado o mercado natalino no final do ano, que conta com muitas luzes e até mesmo uma roda gigante. Em torno dela existem pontos de ônibus, pubs, mercados e o banco da Irlanda. Nunca vou me esquecer de ter achado totalmente esquisito a primeira vez que vi as pessoas ficarem sentadas e deitadas pela grama em dias de sol. E não estranhe essa cena: durante o verão é muito comum que a praça fique cheia de gente, cachorros e crianças aproveitando um pouquinho do calor. É praticamente um pedacinho de um parque no meio da cidade.


E dessa praça também é possível ter acesso a diversas outras ruas do centro da cidade, inclusive a Shop Street, a principal por lá. É nela que você vai se deparar com muitos (muitos, muitos mesmo) cantores, bandas, dançarinos e tudo quanto é tipo de artistas de rua. É por lá que você vai se deparar com os pubs mais conhecidos, como o Kings Head ou o Taaffles Bar, ou, ainda, com um shopping (onde fica uma loja da Penneys), a Boots (farmácia bastante conhecida na Europa) ou o Mc Donalds (comer por um precinho? gostamos!).


Seguindo a Shop Street é possível se confundir e achar que a rua é gigante, mas ela muda de nome e passa a se chamar High Street e, depois, Quay Street. É na Quay, por exemplo, que comi um dos melhores fish and chips, em um restaurante chamado Mc Donagh’s (ai que saudades que bate aqui no coração!).


Ao final do caminho você dá de cara com um dos cartões postais da cidades: o Spanish Arc e o River Corrib. Os muros de pedra são datados de 1584 e formam o remanescente dos muros que protegiam a cidade de ataques de outros povos. Já, às margens do rio, logo do lado dos arcos, estão aquelas casinhas coloridas que sempre aparecem no google imagens quando a gente procura fotos de Galway. Elas surgem, inclusive, ao final do clipe “Galway Girl”, do Ed Sheeran. Está lembrado?



Além dessa área, existem outros locais bastante conhecidos por lá. Têm muitas opções de bairros residenciais, que contam com alguns mercados ou galeria de lojas. Um local bastante famoso é Salthill, por exemplo, onde os moradores podem ir à praia (bem diferente da brasileira, mas, mesmo assim, uma boa oportunidade para quem quer arriscar entrar na água gelada ou pular do Blackrock). Lá também estão vários pubs, como o tradicional O’Connors, que é outro cenário do clipe de Sheeran e um lugar tradicional onde irlandeses de várias idades se reúnem.


A cidade também tem uma catedral gigantesca e muito linda onde são celebradas as missas (pela manhã e à tarde, quando os turistas devem evitar entrar no local). A “Cathedral of Our Lady Assumed into Heaven and St Nicholas” ou, simplesmente, “Catedral de Galway” é uma construção toda de pedra que começou a ser construída em 1958. A sua cúpula é de deixar qualquer pessoa de queixo caído.


A uma curta caminhada de lá existe um campus da National University of Ireland, uma das faculdades mais tradicionais da Irlanda. É possível passear pelo local e, inclusive, visitar exposições e outros eventos culturais.


Escolas em Galway

Em 2017, quando fui para Galway estudar por um mês, havia três opções de escolas: a Bridge Mills (assista ao vídeo da escola), a Galway Cultural Institute e a Atlantic Language School. Essa última foi a escolhida por mim para fazer o curso de inglês. Achei a estrutura e o material ótimos. Entre os professores, tive alguns muito bons e outros que tinham uma didática péssima.


A vantagem era que a escola era muito aberta para ouvir as reivindicação dos alunos.

Entre outros colegas que conheci por lá e que estudaram por mais tempo, encontrei vários que também optaram pela Bridge Mills. Parece ser uma escola bastante tradicional e com preços um pouco menores do que as outras. Ouvi dizer que hoje existe uma nova escola por lá que é responsável, inclusive, por formar professores. Ela se chama International House.


Falando nos meus amigos, a maioria deles ficou na Irlanda por bastante tempo (alguns, inclusive, estão por lá). É possível estudar e trabalhar para quem for ficar por mais de 25 semanas, como vocês provavelmente sabem. A maioria deles trabalhava em pubs e restaurantes como garçons ou só limpando o local. Já outros conseguiram emprego cuidando de crianças pequenas ou, então, na equipe de hotéis ou pousadas fazendo a limpeza dos quartos.



Mas tem o que fazer em Galway?

Um dos principais medos que tive antes de ir para Galway da primeira vez é se, nos meus tempos livres, eu teria o que fazer. Como eu disse, a cidade é pequena, e não existem infinitas opções de lugares diferentes para ir. Apesar disso, eu gostava bastante dos lugares que tinham por lá.


Lembro de passear muito pelo centro, conhecendo as lojas (além da Penneys, claro!), o shopping e o cinema. Fui à Catedral, a Salthill, à NUI e a uma exposição anual de artes. Fazia muitos tours para lugares próximos à cidade. A localização para esses pontos turísticos é realmente privilegiada.


Fiquei chateada por não estar lá durante as Galway Races, que são, basicamente, corridas de cavalos que param a cidade. É comum ver as irlandesas usando longos, roupas chique e chapéus gigantes durante esse evento (que acontece, normalmente, durante as primeiras semanas de agosto).


Ainda, tinha muitas opções para comer, em pubs, restaurantes de vários tipos ou mesmo fastfood (alô, Cc Donalds e Supermacs!). Os mercados principais eram o Tesco e o Lidl. Além deles tinham outras opções menores como o Dealz ou o Centra.


Às noites das quartas-feiras meus amigos gostavam de ir aos Monroes, onde tocava salsa e algumas músicas brasileiras. Era um jeito de nos sentirmos mais próximos ao nosso país e encontrarmos brasileiros (e, acredite, parece que todos os brasileiros de Galway ficam reunidos lá!). Além disso a gente também ia nos pubs, ouvir umas músicas tradicionais irlandesas e, às vezes, íamos para alguma baladinha, como o The Front Door.



As coisas por lá não ficam abertas até muito tarde. As baladas, por exemplo, costumavam fechar, no máximo, às 2h da manhã, o que é bem diferente do que estamos acostumados aqui no Brasil, não é mesmo? Depois é comum que todo mundo volte andando ou de táxi para suas casas e, pelo caminho, encontre alguns irlandeses que beberam um pouquinho a mais pelas ruas.


Como eu disse, eu sou suspeita para falar de Galway. Cheguei lá muito receosa pela primeira vez e sai totalmente apaixonada. É um lugar que gostaria muito de morar por mais tempo porque sinto que lá, é possível estar diretamente ligada à cultura irlandesa.


A cidade é linda. Suas casinhas iguais, suas bandeirinhas pela Shop Street, as pessoas reunidas nos dias de sol pelas margens do rio Corrib ou pelo gramado da Eyre Square, seus pubs e cervejas tradicionais (como a Galway Hooker) e as dezenas de artistas de rua formam um cenário que aperta meu coração toda vez que eu preciso ir embora.


É aquele gostinho de visitar um lugar que você se sente parte e a sensação de ter deixado um pedacinho seu por lá quando precisa pegar o ônibus de volta para o aeroporto. E eu já não vejo a hora de voltar!

Por Caroline Sassatelli

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